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(Tau-te-King, 16)


quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Siddhartha: Um Poema Indiano/ Siddhartha: an Indian Poem

Siddhartha: Um Poema Indiano

Esta obra de Herman Hesse conta a história de Siddhartha, o único filho de um líder espiritual hindu, e de Govinda, o seu melhor amigo, detentor de uma alma pura, desejando ambos atingir o Nirvana, a Energia Pura de Atman, através da meditação e da erosão dos seus egos. Com este objectivo em mente, vão viver durante três anos com os samanas, que lhes ensinam como vencer a fome, a sede e a dor, enquanto meios que lhes permitem escapar do corpo e alcançar a Pura Essência. Todavia, depois deste período, eles deixam a comunidade de ascetas e conhecem Gotama, o Buda, o Perfeito e o Único a conseguir libertar-se da roda da reencarnação. Govinda fica tão fascinado com a sua doutrina que permanece com o Perfeito e os seus discípulos nos bosques de Jetavana. Siddhartha não fica- ele crê que Atman e a Essência Eterna de Braman só pode ser encontrada e vivida no seu próprio eu. Os samanas ensinaram-no a alcançar essas dimensões sagradas pela força da mente sobre o corpo, mas ele sabe, agora, que nem a racionalidade, nem a sensualidade podem conduzi-lo ao Sentido Supremo. Dirige-se sozinho para a cidade, atravessando o rio num barco conduzido por Vasudeva, um homem pobre e simples, mas profundamente espiritual que acredita que o rio é a verdadeira fonte de sabedoria. Na cidade, Siddhartha conhece Kamala, uma bonita e rica mulher cujo modus vivendi é dar prazer a homens poderosos. Ele fica tão fascinado com a sua beleza que vai à sua casa e pede-lhe a sua companhia. Ela diz-lhe que só pode atender homens ricos. Sansara, o mundo dos Sentidos, está, agora, a conquistar a alma de Siddhartha. Kamala apresenta-o a um dos seus clientes- Kamaswami-, um homem de negócios rico e poderoso que fica fascinado com a força da mente de Siddhartha, que o conduz, frequentemente, ao sucesso nos negócios. Siddhartha despende tantos anos nesta vida luxuosa que, gradualmente, se vai esquecendo da sua busca inicial por Atman e Braman dentro de si. Contudo, um dia, desiludido com o seu estilo de vida materialista, foge novamente e consciencializa-se que estava a escapar ao seu objectivo vivencial. Quando atravessa de novo o rio, fala mais uma vez com Vasudeva e toma consciência de que o seu lugar é ao lado deste simples mas santo homem que, sem quaisquer pensamentos profundos ou frases e palavras complexas, encontrou a pureza, a paz de espírito, a serenidade e a bondade. Certo dia, Kamala escapa da cidade com o seu filho. A sua beleza e juventude estão agora disfarçadas com as rugas do tempo e ela convertida à doutrina de Buda. No entanto, a morte está à sua espera- quando adormece, uma cobra pica-a. Siddhartha e Vasudeva encontram mãe e filho e levam-nos para a cabana onde vivem perto do rio, a fonte de conhecimento. Kamala morre, mas primeiro informa Siddhartha de que o filho é seu. O rapaz fica com eles, mas, à medida que vai crescendo, o ódio pelo seu pai e por aquele estilo de vida simples vai aumentando. Ele parte, as saudosas memórias de uma vida luxuriosa e mundana conduzem no à cidade. Siddhartha fica com o coração desfeito- pela primeira vez, experiencia um amor autêntico e incondicional e uma dor profunda. Ele persegue o rapaz, mas não o consegue encontrar e desiste. Agora, sabe o que o seu pai sofreu com a sua ausência, agora compreende que cada um de nós tem o seu próprio percurso de vida, que ninguém nos pode dizer como percorrê-lo. Siddhartha percebe que Vasudeva vai morrer dado que este apresenta já a expressão serena de Buda, antes da sua tão feliz consumação na floresta, para onde se dirige quando pressente a partida. Siddhartha tem agora a certeza de que Vasudeva já contém tudo dentro dele, ele já alcançou o Nirvana. Por fim, Siddhartha também alcança Atman e Braman e compreende que cada ser vivo tem estas dimensões sagradas dentro dele e que não existe nem passado, nem presente, nem futuro, mesmo o mais pecaminoso indivíduo um dia alcançará o Nirvana e será libertado da dinâmica da reencarnação, através da sua evolução gradual como ser humano. Siddhartha morre e Govinda observa-o a partir com a mesma expressão serena de Vasudeva e de Buda.
Copyright Isabel Metello


Photo: Isabel Metello ©, British Museum, China Pavillion, 2007



Siddhartha: an Indian Poem

This book tells the story of Siddhartha, the only son of an hindu spiritual leader, and Govinda, his pure best friend, who aim at achieving Nirvana, the Pure Energy of Atman, by meditation and the destruction of their egos. Firstly, they go to live three years with the samanas who teach them how to cope with hunger, thirst and pain as mediums to escape the body and reach the Pure Essence. However, after this period, they leave the ascetic community and meet Gotama, the Buda, the Perfect and only One to be able to liberate himself from the wheel of reincarnation. Govinda becomes so fascinated with his doctrine that he stays with Gotama and his followers at Jetavana woods. Siddhartha doesn´t stay- he believes that Atman and the Eternal Essence of Braman can only be found and lived in his own self. The samanas have taught him to reach them by the power of mind over the body but he knows now that neither rationality nor sensuality can lead him to the Supreme Meaning. He goes alone to the city, crossing the river by boat conducted by Vasudeva, a poor, plain but very spiritual man who believes the river is the real source of wisdom. At the city Siddhartha sees Kamala, a beautiful and rich woman whose way of living is giving pleasure to powerful men. He is so fascinated by her beauty that he goes to her house and ask her for her company. She says she only attends rich men. Sansara, the World of Senses, is now conquering Siddhartha´s soul. Kamala introduces him to one of her clients- Kamaswami-, a rich and powerful business man who becomes fascinated by the powerful mind of Siddhartha, which leads him to success in trade affairs. Siddhartha spends so many years in this luxurious life that he gradually forgets his initial search for Atman and Braman within his own self. However, one day, disappointed with all this materialistic life, he escapes again and finally realises that he was escaping his goal in life. When crossing the river he talks once more to Vasudeva and realises that his place is beside this plain but holly man who, without deep thoughts or complex words and sentences, found authentic purity, peace of mind, serenity and kindness. One day, Kamala escapes from the city with her son. Her beauty and youth are now disguised by the wrinkles of time and she had converted herself to the doctrine of Buda. However death is waiting for her- when she falls asleep, a snake bites her. Siddhartha and Vasudeva find them both and take them to the hut where they live near the river, the source of knowledge. Kamala dies but first she tells Siddhartha that the child is his. The boy stays with them but as he grows older his hate for his father and that kind of simple living gets stronger. He leaves, the memories of a luxury and mundane style of living lead him to the city. Siddhartha is heart broken- for the first time he experiences real unconditional love and extreme pain. He goes after the boy, but he can´t find him. He gives up. Now he knows what his father suffered with his absence, now he understands that each one of us has his own path in life, that nobody can tell us how to walk through it. Siddhartha perceives that Vasudeva is going to die because he is with Buda´s serene expression but, before his so joyful death at the forest, Siddhartha is certain that he contains already everything in him, he has already reached Nirvana. Siddhartha also finally reaches Atman and Braman and understands that every living being has these sacred dimensions in himself/ itself and that as there is no past, present or future, even the most sinful person someday is going to reach Nirvana and be liberated from the dynamics of reincarnation, by gradually evolving as a human being. He dies and Govinda watches him going away with the same Vasudeva and Buda´s serene expression.
Copyright Isabel Metello

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